Minha banda está com as músicas prontas e nós queremos gravar. O que fazemos? Parte 2

///Minha banda está com as músicas prontas e nós queremos gravar. O que fazemos? Parte 2

Minha banda está com as músicas prontas e nós queremos gravar. O que fazemos? Parte 2

Na primeira parte desta série falei um pouco sobre o papel de cada um dos profissionais envolvidos na produção de um disco/trabalho fonográfico. Nesta segunda parte vou falar um pouco mais sobre o produtor musical e das etapas da produção de um disco, no que diz respeito ao estúdio. Já vimos que o produtor musical precisa escutar o trabalho de fora para poder entender o objetivo e a sonoridade a serem alcançadas durante as etapas de gravação, mixagem e masterização. Mas antes de ir para o estúdio de gravação existe a etapa chamada de pré-produção.

Ela é, em termos simples, a etapa seguinte àquela de onde começamos, onde a banda já tem as músicas, os arranjos,ENSAIOU BASTANTE, decidiu gravar, conheceu o produtor e precisa mostrar pra ele as músicas! Bom, nessa hora, o produtor vai ter contato pela primeira vez com as músicas. Pode ser num ensaio propriamente dito ou através de uma demo. Após as primeiras conversas e assim que ele conseguir formar uma opinião sobre o trabalho, ele pode sugerir algumas mudanças (na estrutura de uma música, na sua dinâmica ou na sua execução) e daí vocês podem fazer uma gravação com tudo definido ANTES de entrar em estúdio para gravar o material de verdade. Repare que eu coloquei em maiúsculas algumas coisas.

Ensaiar muito facilita as coisas de uma forma impensável. Dominar os arranjos e estar com tudo na ponta da língua salva tempo ($$$) em estúdio. Existe uma relação muito interessante e tênue entre ser rápido no estúdio e não fazer as coisas com pressa. Como dizem os índios norte-americanos: “Leve o tempo que precisar, mas apresse-se!” A segunda marcação em maiúsculas diz respeito a ter uma ideia básica, uma concepção da música antes de entrar em estúdio. Isto, novamente, salva tempo e paciência de todos os envolvidos no trabalho. Já imaginou, em um disco de hard rock, em todas as 12 músicas o guitarrista ter que inventar o solo no estúdio pois ele não havia definido antes? Em outras palavras: haja saco! Mas veja bem, isso não te impede de fazer um experimentalismo, tentar uma nova frase ou coisa e tal. Isso é, inclusive, louvável. Mas tente ser objetivo no máximo possível de coisas.

E essa pré-produção precisa ser no mesmo estúdio da gravação à vera (ou seja: custar caro)?

Obviamente, nos dias de hoje, a pré-produção é até um certo luxo (embora eu a considere extremamente importante). Trabalhar da melhor forma dentro de um orçamento é uma virtude para poucos, mas a ideia aqui é justamente te ajudar a decidir onde vale mais a pena investir mais. Se você tem muito pouco pra gastar, mas tem certeza de que os arranjos estão prontos e confia no seu produtor, considere pular esta etapa. Do contrário, tente fazê-la em casa ou em um estúdio mais simples. Muitas vezes, uma gravação de ensaio já é suficiente (e nem vai encarecer tanto seu disco, certo?). O mais importante dessa história toda é tentar deixar o material o mais pronto possível. Antes de buscar o produtor certo (ou de um membro da banda assumir esta posição, na falta de grana pra bancar isso), concentrem-se nos ensaios e nos arranjos. Procurem fechar um conceito e respeitar o papel de cada elemento dentro de cada canção. Quando o produtor entrar na história, ele vai tentar trazer mais “cola” pra coisa. Unir mais os elementos e fazer aquilo trabalhar de verdade, em prol da canção. Como já disse, grandes produtores deram grandes ajudas na criação de verdadeiros hits que todos conhecemos!

Na próxima etapa, quando a banda seguir pro estúdio, o produtor deve seguir esse conceito criado na pré-produção auxiliando o técnico de gravação a obter o melhor som dos instrumentos (neste caso, melhor é o que se encaixa na proposta, ok?) e extraindo dos músicos a sua melhor performance. Esse trio músicos-produtor-técnico de gravação vai ser essencial pra criar a base, o grosso do disco. Tente fazer o melhor possível ainda na gravação. Evite ao máximo deixar pra consertar na mixagem. Isto pode custar caro e muitas vezes nem ter saída. Os ingleses são firmes em dizer que o som do disco vem todo da gravação. Excesso de truques nas etapas seguintes pode deixar um trabalho muito pouco orgânico e não vai ter volta!

Na etapa da mixagem, o produtor deve ficar atento em manter a coesão do trabalho dentro da proposta escolhida. É bom que ele conheça bem o estilo (ou então procure fazê-lo), escutando outros discos que são referência de sonoridade e, se possível, ficar por dentro das técnicas de mixagem usadas nesse estilo. Por exemplo, para uma banda de rock pesado, quase sempre se usa fazer dobras nas guitarras para abri-las no panorama. Não que você não possa fazer fazer diferente, mas isso não exclui a sua tarefa (e principalmente do produtor) de conhecer essa característica. Esse trabalho seguirá adiante na masterização, onde o produtor vai precisar acompanhar a mudança de músicas no CD, se elas soam coesas, com volume compatível e é onde se dará os últimos retoques. Afinal, depois da masterização o CD (ou outra mídia qualquer) vai ser duplicado e distribuído. É importante atentar para o excesso de volume em detrimento da qualidade do áudio final (a chamada Loudness War, de que vou falar mais à frente).

Portanto, nunca deixe de ter uma boa relação com o seu produtor. Se você for um, seja na sua banda, ou trabalhando com outras, procure entender o ponto de vista do autor das músicas (ou da banda) e evite tentar impor a sua opinião. Mesmo que você tenha certeza do que está fazendo, o disco ainda é dos outros e por isso precisa haver um consenso. Ninguém está livre de desavenças (nem os Beatles foram assim!), mas também o disco precisa sair e pra isso bom relacionamento nunca é demais!

2010-09-14T08:06:58+00:00 setembro 14th, 2010|Categories: Produção musical|Tags: , , , , , , |

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10 Comments

  1. Ricardo setembro 15, 2010 at 6:02 am - Reply

    Verdade Sergio, não a coisa mais chata do que você entra em um estúdio e sair deste, pior do que entrou, então nada melhor e conveniente do que você e sua Banda estarem bem seguros do que vão fazer, principalmente em se tratando de gravação!!

  2. Dygão setembro 15, 2010 at 6:48 am - Reply

    Fala Sérgio!
    Preciosas são suas palavras!
    Como dono de estúdio e produtor vejo que infelizmente o papel da pré-produção tem sido deixado de lado por muitos conjuntos que me procuram para gravar.
    Já chegou ao cúmulo de um guitarrista não saber como se toca a música de sua própria banda!
    O verdadeiro produtor musical é aquele que veio para somar. Ele é como um curador que apresenta uma obra de arte em uma galeria, trabalha para que a OBRA DE ARTE(estou usando do seu recurso rs) tenha mais admiradores e seja admirada da melhor forma possível tendo sempre em mente que uma produção no ambiente da exposição pode ajudar muito, mas tem limite.
    Parabéns pelas palavras!
    Amigo, sucesso!

  3. Nyck setembro 19, 2010 at 9:48 pm - Reply

    É verdade, Sergio. Saber bem o que vai fazer é importante. Mas também acho legal ter em mente que sempre é possível e provável haver mudanças na hora de gravar, já que algumas coisas podem ficar aquém daquilo que se esperava. Com isso ou sem, a palavra do produtor sempre é importante, porque é uma opinião vinda de fora e por isso mesmo, imparcial e sem medo de ser sincero… Ótimo artigo.

  4. Sergio Pai setembro 20, 2010 at 7:52 pm - Reply

    Falou bem, filho. Você conseguiu dar uma boa visão do que é o trabalhão de fazer nascer este filho que é o disco. Uso essa metáfora porque nossos filhos trazem sempre nossa carga genética, nossas impressões e ensinamentos que passamos e apesar disso, quando vêm ao mundo e vivem a sua vida, criam vida própria. Com os discos ocorre o mesmo, eles são filhos que adquirem vida própria, pertencem ao mundo e não mais a nós. No entanto, se houver personalidade no trabalho, todos reconhecerão a origem do mesmo. Se isso ocorrer com nossos discos, independente de pouco ou muito sucesso que possam ter, podemos ficar orgulhosos de termos conseguido passar ao nosso trabalho artístico o que somos, a nossa característica pessoal, a mensagem que queremos passar, reconhecida por todos…Continue escrevendo assim, está um texto bem acessível e de leitura prazerosa. beijos
    Sergio Pai…

  5. Luiz Carlos Jr. setembro 21, 2010 at 12:52 pm - Reply

    E aí Serginho??? Como sempre são sempre preciosas e importantes. Estou aprendendo muito com sua coluna aqui no overdubbing. E deixo aqui que estou curtindo muito o site!!!
    Concordo com você em número e espécie em tudo que foi postado. Coloco aqui que um bom produtor tem um ouvido bastante afinado e a sensibilidade na medida certa pra trazer para banda os elementos que faltam, e assim fechar o disco(cd) com todos satisfeito com resultado final.
    É meu Guitarman…Tem que ter inspiração e transpiração de todos envolvidos pra colocar no mundo o registro legal e definitivo de uma banda.
    Valeu… Ficaremos no aguardo de mais!!!

  6. FredFrancisco setembro 21, 2010 at 5:19 pm - Reply

    Fala Sergio, achei ótimo o artigo e concordo com muitos processos citados neste cilclo de criação, execução, montagem, pré-produção, produção e pós-produção, de uma canção, de uma demo, ou de um CD. Também acho que conhecimento, interação, admiração e respeito do músico, do produtor e do técnico como falado no artigo, deva ser mutua, todos devem conhecer o que a música e os artistas, a banda ou o compositor quer com sua obra, a sonoridade, a pegada, a atitude, e o que mais for necessário para uma satisfação de ambos. Penso também que o papel do produtor é achar taletos, músicos, compositores, aqueles que não tem uma banda ou todo os músicos para executar a sua canção. Imagina, vc conhece um compositor, o cara tem uma canção muito boa, mas ele não tem a banda, a musica requer cordas, metais, piano, como esse cara vai chegar e gravar a música dele, e mostrar depois pra uma gravadora, nunca. O produtor deve e pode pegar um simples musico/compositor e uma simples letra e melodia e transforma-la numa bela canção. Temos vários exemplos de banda e artistas internacionais e até nacionais que começaram assim. Essa é mais uma das vertentes do produtor que deveria ser mais aproveitada, para a democratização da música e dos talentos de verdade. Abração.

  7. Ivan setembro 22, 2010 at 7:13 am - Reply

    A seriedade com que é produzida um disco , diz exatamente qual é a relação entre o músico com a música..
    Um cara que vai pro estúdio sem nem saber tocar a música da banda no mínimo comprou o instrumento só pra impressionar umas garotas e nada mais rs
    A préprodução é importantíssima , pq é a matéria prima do seu trabalho , a produção é quando suas músicas realmente ganham vida , mas pra haver vida tem que ter o material pronto antes!

  8. Pedro Machado setembro 24, 2010 at 8:02 am - Reply

    “Ensaiar muito facilita as coisas de uma forma impensável. Dominar os arranjos e estar com tudo na ponta da língua salva tempo ($$$) em estúdio.”

    A banda que decidiu gravar um albúm assumiu a postura profissional e deve agir como tal. Eu diria que ensaiar muito não facilita, ~é fundamental~.
    O produtor musical é o responsável pelo intermédio banda-público, e deve ser capaz de adaptar tudo aquilo feito em estúdio para o mercado do lado de fora, assim como qualquer prestador de serviço deve ter um agente externo. Ele não faz milagres, casos de bons produtores por trás de albuns ruins permeiam a história da industria fonográfica aos montes.

    É tudo uma relação de interdependência, assim como em qualquer trabalho 🙂

    Essa sua coluna tem futuro.
    Grande abraço!

  9. Afinal, Pro Tools é melhor? dezembro 12, 2010 at 11:19 pm - Reply

    […] um pouco o papel de cada um nas etapas da produção de um disco (pegou o bonde andando? vem aqui e aqui), agora vou falar um pouco sobre alguns termos que circulam dentro dos […]

  10. nathelye barros abril 19, 2011 at 8:04 pm - Reply

    quero gravar cd sou conpositor e tenho ja uma musicas prontra sou do df fone 061-84236211 email vitorina_df@hotmail.com

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