Ideias X equipamento: como escolher a dose certa?

///Ideias X equipamento: como escolher a dose certa?

Ideias X equipamento: como escolher a dose certa?

Quantas ideias cabem no seu equipamento, ou quanto equipamento é necessário para fazer suas ideias se transformarem em música?


Escrevo esta semana de Paris, onde vim acompanhar as exibições do longa metragem 180 graus, de Eduardo Vaisman, no 13º Festival de Cinema Brasileiro na condição de compositor e produtor musical da trilha sonora original do filme.

Embora ainda não lançado no Brasil, o longa tem feito ótima carreira em festivais, tanto em Gramado, ganhando o prêmio de melhor filme na opinião do júri popular, como no exterior, sendo exibido, além daqui, também em Cuba, Chicago e irá para New York em junho. Se puder, veja mais em: www.festivaldecinemabresilienparis.com.


Trailer do filme 180º com trilha sonora de Fernando Moura

Impressionante como até aqui em Paris a pergunta mais ouvida é a mesma que assola os e-mails que recebo dos leitores e os papos com músicos: “qual o equipamento que você usou para gravar a música?”, ou  “que software você prefere para compor para trilhas sonoras? ”.

É um filme de baixo orçamento, mas, pelo conteúdo emocional da história (um triângulo amoroso recheado pela disputa da autoria de um best seller), decidi com o diretor desde o início que a música não poderia ficar restrita a teclados e samplers. Dessa maneira, precisaria da participação de músicos tocando instrumentos acústicos, pois a trilha ficaria de acordo com a estética do filme e contribuiria melhor para a história que está sendo contada com as imagens.

Para isso, fiz três versões em MIDI das mais de 25 entradas musicais que formam a trilha sonora original antes de escrever para os músicos e marcar as gravações com eles. Como o meu leitor especializado sabe, para gravar MIDI, são muitas as opções de software e hardware, afinal, funciona como um guia, um rascunho para apresentar ideias musicais e não como um produto final, ou algo sequer perto dele.

É absolutamente risível o som de sopros (como trumpete e harmônica que foram usados nessas composições) de qualquer módulo MIDI. Na verdade, o grande teste acaba sendo o seguinte: se foi possível ao diretor do filme suportar o som praticamente “de brinquedo” dessas demos é porque as idéias musicais estão funcionando e quando forem gravadas por músicos ao vivo funcionarão ainda melhor.

Então a melhor pergunta a se fazer é: quantas ideias cabem no seu equipamento, ou quanto equipamento é necessário para fazer suas ideias se transformarem em música? Como sempre, leitor, a resposta é totalmente pessoal, varia a cada tipo de trabalho e dependerá de sua veiculação final.

No caso da trilha sonora desse longa metragem para cinema, tive a sorte de contar com a participação de músicos que, além de talentosos e competentes, puderam gravar suas participações em seus próprios estúdios e isso foi o que viabilizou a gravação dentro dessa perspectiva de baixo orçamento. As demos em MIDI foram mandadas com as respectivas partituras e ficou tudo certo.

Cada um deles usa computadores diferentes com softwares e hardwares diferentes, inclusive dos que eu usei para gravar as minhas partes de piano acústico, o baixo acústico e a percussão. Posso garantir ao mais exigente dos meus leitores que isso não teve a menor importância no rendimento das gravações, nem na preparação para a mixagem, que foi efetivamente feita num estúdio especializado em mixagem para cinema, com outro equipamento totalmente diferente em ação.

No caso da trilha sonora, o que sempre vai prevalecer é a sua integração com o filme, o quanto ela acrescenta à narrativa sem disputar lugar com ela. A máquina não escreve sozinha, leitor: nossa tarefa é apresentar ideias de maneira que elas cheguem mais facilmente a quem está nos ouvindo, e isso depende de talento, técnica e trabalho. A ideia a serviço da história, o equipamento a serviço da música.

Fernando Moura é pianista, compositor, arranjador e produtor de música e trilhas sonoras com mais de 30 anos de experiência no mercado. Saiba mais em www.myspace.com/fernandomoura.

 

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2011-05-16T21:33:22+00:00 maio 16th, 2011|Categories: Sonhos de um Produtor|Tags: , , , |

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2 Comments

  1. Andy Lima maio 22, 2011 at 8:19 pm - Reply

    Fernando, tenho acompanhando seus posts e tenho gostado bastante! Adorei a trilha sonora do filme! Quando ele entrará em cartaz no Brasil?

  2. Marcio Horta maio 22, 2011 at 8:59 pm - Reply

    Olá, Fernando! Concordo em muitos pontos no seu texto! Não sei hoje em dia, com tanto acesso a equipamentos que fazem pirotecnias auditivas com qualidade extraordinária, onde fica inserida a criatividade! Sensacional o trailer! Espero que tenha ganho algum prêmio!

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