Vivendo e aprendendo a jogar

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Vivendo e aprendendo a jogar

Calma aí, leitor, não vou falar da música que lançou Guilherme Arantes na MPB, na voz sempre descobridora de Elis Regina (Aldir Blanc, João Bosco e Belchior souberam e você? Procure saber!).

Em nosso último encontro, falando sobre o livro do Quincy Jones, comentei que me causava estranheza a ausência de relatos de derrotas. Uma trajetória artística longa, como ele mesmo comenta ao longo do livro, tende mais para uma sucessão de picos e vales, do que para uma estrada ascendente e sem desvios.

Qualquer psicanalista de boteco pode discorrer durante litros de cerveja sobre a dificuldade do ser humano em lidar com perdas: seja ser preterido em um trabalho, ou levar um bom par de chifres. Vou pular as modalidades e tentar ser fiel à música do Vanzolini: “… reconhece a queda e não desanima, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

Para começar, tenha certeza de que perder trabalhos acontece (e mais de uma vez!) com todo mundo. Tornar esses acontecimentos públicos, ou não, é uma opção pessoal e pode ser interessante contar em uma situação e fechar o bico em outras. Ninguém “ganha todas”, leitor! Aqueles que dizem forçar operadoras de telefonia celular a se desdobrarem em vantagens adicionais para não serem “processadas”, ou que se vangloriam de ameaçar “entrar justiça” contra administradoras de cartão de crédito, para ganhar condições especiais e abonos de anuidades, são falsos espertos.

Geralmente são os que mais perdem porque pensam que enganam os outros com suas fantasias de respeito aos direitos do consumidor e gastam um tempo enorme com isso.

Saber que acontece com todos é um bom começo, mas tentar entender o que houve para que não aconteça outra vez, é mais adulto.

Em uma avaliação honesta de sua performance, você percebeu alguma bobeira profissional de sua parte? Algum prazo não foi cumprido, alguma peça foi mandada com defeito? Algum pedido do cliente foi rejeitado, contestado, ou atendido com evidências de má vontade? O label da mídia (CD, DVD, envelope) enviada para a difusão foi escrito em computador, ou com aqueles pilots nojentos que borram tudo por onde passam?

Você aceitou bem as observações do cliente, ou seu ego foi mais rápido que sua razão? Na terceira refação, apesar de dizer “tudo bem, vamos nessa”, seu sentimento de ódio e descontentamento ficou evidente até na escolha da fonte para escrever o email?

“Não, não fiz nada disso, juro!”, argumenta o leitor sincero e com o coração tristíssimo por ter perdido o trabalho e estar com a sensação de perda de tempo em ler esse artigo que parecia interessante, mas agora oscila entre a auto ajuda e o ditador de regras musico-digital.

Então, vamos à pergunta fundamental: alguém da família, ou do círculo íntimo do cliente, faz música também, diz que “tem um estúdio em casa, assim igual ao seu”, e que “só precisa de uma boa chance” para se firmar no mercado profissional? Relaxe, leitor, porque se for esse o caso, nem se você incorporar o Quincy Jones e o George Martin ao mesmo tempo vai conseguir o trabalho de volta.

Em casos como esse, o melhor é deixar que o tempo mostre os caminhos certos para essas pessoas e quanto a você e eu, o melhor é ir dar um mergulho na praia porque essa aí, playboy, você perdeu…

Estando na área e com disposição, outras oportunidades virão, certamente!

Fernando Moura é pianista, compositor, arranjador e produtor de música e trilhas sonoras com mais de 30 anos de experiência no mercado. Saiba mais em www.myspace.com/fernandomoura.

2011-02-10T21:12:41+00:00 fevereiro 10th, 2011|Categories: colunas, Sonhos de um Produtor|Tags: , , , |

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  1. […] This post was mentioned on Twitter by Overdubbing, Overdubbing. Overdubbing said: Em artigo, o pianista Fernando Moura analisa os altos e baixos da profissão de produtor musical…. http://fb.me/Ua1CPB52 […]

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