Vintage X Virtual: qual o seu Minimoog preferido?

///Vintage X Virtual: qual o seu Minimoog preferido?

Vintage X Virtual: qual o seu Minimoog preferido?

Concordo com o leitor que esteja se sentindo tentado a pular mais uma matéria que discute as vantagens e desvantagens do analógico sobre o digital. Todos nós já tivemos o bastante disso e já chegamos a respostas satisfatórias para o dia a dia de fazer música. A curiosidade, entretanto, é uma força muito determinante entre os artistas e com certeza, além do sexo e do dinheiro, ela está entre as forças motrizes mais importantes da indústria da música (não necessariamente nessa ordem, porque minha mulher também lê essas colunas, caro leitor!).

De algum tempo para cá, dez entre dez músicos, produtores e artistas são unânimes em falar sobre as vantagens do analógico, verdadeiro e vintage, sobre o digital, fake e estéril, mas que tal uma comparação hands on e no mundo real? Como escrevi, e demonstrei em vídeo no último artigo, um som de lead de sintetizador sempre terá seu momento em diferentes contextos musicais como o Pop, Hip-Hop, dance e até o Fusion. 

Os sons agudos, com ataque lento e possíveis variações de filtro, sempre atraíram e atrairão os tecladistas porque são exatamente as características sonoras que o piano não pode oferecer. Você toca uma nota no piano e ela terá o ataque definido, sem crescendo, vai durar por um tempo relativamente curto mesmo com o uso do pedal, e o timbre não vai se alterar significativamente durante o tempo que a ouvimos.

De certa forma, a bordo de um som de solo típico, qualquer tecladista se sente tocando um instrumento de sopro sem os problemas de embocadura, afinação (bem, no caso dos analógicos, quase isso) e de ter que respirar depois de certo tempo. Esse é um mico clássico que todos pagam quando estão começando a escrever arranjos para sopro. Pode parecer incrível a você, arranjador com formação de pianista, violonista, ou baixista, mas o sucesso de arranjos para instrumentos de sopro depende de uma boa relação entre as frases que você escreve e as oportunidades que o instrumentista terá de respirar entre elas.

No exemplo do vídeo dessa semana, começo tocando uma frase no meu Minimoog legítimo de 1974, comprado no Japão a peso de ouro, mas totalmente revisado e mais afinado que o próprio piloto. Em seguida, abro uma instância VST do Mini Moog da francesa Arturia e faço uma programação rápida do mesmo tipo de som de solo que usei no vintage. Se você usar a tela inteira para reproduzir o vídeo, conseguirá acompanhar os settings, mas é tudo bem standart, e sem truques na manga, apenas um som de solo em um sintetizador.

Mini Moog virtual

Repito no virtual aproximadamente o mesmo tipo de frase que toquei no analógico e nos dois usei um pouco de delay, para uma maior justiça nas comparações. No caso do virtual da Arturia, poderia ter usado o que vem no próprio VSTi, mas o delay usado no que você ouve é o mesmo Boss nos dois instrumentos.

Depois de tocar, e ajustar um pouco o som no virtual, volto ao analógico para uma última fraseada e deixo aos leitores as conclusões e considerações possíveis no caso. O som que você ouve é reproduzido de caixas NS-10M Studio da Yamaha. 

Um Mini Moog analógico vintage, em boas condições, está valendo algo entre U$3mil e U$4 mil nos e-bays da vida, enquanto que o preço de lista do virtual da Arturia é de aproximadamente 200 dólares. O Mini Moog autêntico pesa mais de 25 quilos, fora a case necessária para levá-lo a qualquer lugar e o virtual…

Ainda em consideração, há os modelos mais recentes Voyager, também na faixa de U$3 mil e poucos, produzidos de 2002 para cá pela Moog Music, com teclados e controles muito melhores que o vintage. Parece bom para muitos, mas eu não consegui me adaptar de jeito algum, pois os controles dos envelopes são verticais, ao contrário do original, em que estão dispostos horizontalmente.

Todos têm suas limitações, não é mesmo, leitor?

Fernando Moura é pianista, compositor, arranjador e produtor de música e trilhas sonoras com mais de 30 anos de experiência no mercado. Saiba mais em www.myspace.com/fernandomoura.

2011-01-26T19:43:03+00:00 janeiro 26th, 2011|Categories: colunas, Sonhos de um Produtor|Tags: , , , |

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