Como manter um diálogo saudável nos trabalhos na música?

///Como manter um diálogo saudável nos trabalhos na música?

Como manter um diálogo saudável nos trabalhos na música?

Sabemos que uma das maiores dificuldades no mundo dos trabalhos é a comunicação. Por mais paradoxal que possa parecer, a maior causa das bateções de cabeça entre parceiros de trabalho, clientes, ou colaboradores é a fragmentação nos diálogos, fator que se agrava muito nesse mundo de e-mails, msgs e redes sociais. O tamanho de um e-mail de trabalho é realmente uma arte a ser desenvolvida no tempo e não tem um padrão exato: cada cliente merece uma tratamento dentro de um repertório de procedimentos básicos. Um bom começo é tentar responder ao interlocutor em uma velocidade compatível com a dele. Não o apresse, mas não o faça ficar esperando por você. Se isso for inevitável, diga o que de fato aconteceu antes de ir matando seus parentes mais distantes (tias, avós, sobrinhos e por aí) menos por compaixão e mais porque alguns clientes além terem boa memória podem catalogar e guardar as correspondencias com seus interlocutores de trabalho.

Muita gente no mundo profissional tem horários fixos para responder a e-mails, principalmente o período do almoço entre os que trabalham em horário comercial. Assim sendo, não adianta ficar bombardeando o cara pela manhã, ou insistindo para ele lhe tirar uma dúvida no meio da madrugada. No Japão, o costume é responder a e-mails de trabalho em um máximo de 24 horas. Caso isso não aconteça, poderá significar que você não quer entabular negócios com quem lhe procurou. Claro que eles não levam em conta uma eventual dificuldade técnica de comunicação como uma caixa “entupida”, ou uma falha no provedor, porque lá o mito da “perfeição oriental” sempre foi cultuado ao extremo. Para o ocidental, entretanto, dão uma colher de chá levando em conta o fuso horário.

Como resultado de uma relação de trabalho com eles há 13 anos, aproveito que normalmente acordo cedo, para estabelecer uma rotina de abrir o e-mail assim que acordo e responder em horário compatível com o deles.
Mandou a trilha para o cliente/diretor do filme/editor de imagens que estava “morrendo de pressa” e ele não lhe respondeu desde ontem? Bem-vindo ao clube, caro leitor! Uma coisa é certeza absoluta: notícia ruim chega logo. Isso quer dizer que quando não gostam do que você criou, ou precisam de modificações por esse, ou aquele problema, a resposta será sempre infinitamente mais rápida do que quando está tudo encaixando, mas falta a pessoa “X” ouvir e emitir sua opinião de oráculo de Delfos, vulgo “aprovação”.

Esse é, sem dúvida, o momento mais delicado da relação cliente e criador. Sua atitude aqui pode definir a longevidade da relação de trabalho. Sejamos realistas: já pensou se refazer um trabalho fosse pago como uma corrida de táxi (você vai de um lugar “A” ao “B”, paga por isso e depois vai do lugar “B” ao “C” pagando novamente por isso) ninguém se estressaria, não é verdade, leitor? O problema é saber como lidar com a “liberdade” que certas pessoas tomam em pedirem novas e mais modificações mantendo o preço inicial tratado e na maioria das vezes sequer mencionando esse fato.

Para esses “esquecidos”, conto sempre que possível a piadinha do cara que senta no restaurante, pede um bife com fritas e depois vai acrescentando um arroz, uma farofinha, uma salada e se espanta quando o garçon inclui os pedidos extras na conta. Infelizmente, apesar de eventualmente descontrair um momento profissional tenso, não tenho tido o efeito monetário desejado… Acostume-se também com os que não conseguem elogiar seu trabalho e com os que não agradecem quando fica tudo bem e você pode emitir a nota fiscal.

Para decidir como você agirá com eles, penso que a melhor opção é ser verdadeiro sem radicalismos: se ficou tudo bem, duas linhas de “adorei, espero que nos encontremos logo para novas aventuras” é o suficiente.
Se você achou complicado, mas ainda assim gostaria de tentar novamente, mais duas linhas de “a primeira vez a gente nunca esquece” já podem estabelecer um tom e manter as possibilidades de uma nova chamada.
Se não fizer a menor questão de ser chamado novamente para trabalhar com esse cliente, não escreva nada, mas saiba que isso não o colocará a salvo de uma nova chamada, porque da mesma forma que não há nada que assegure uma sequência de trabalhos, nada vai lhe colocar 100% a salvo de um cliente pentelho. Lembre-se de Nelson Rodrigues: “toda mulher gosta de apanhar, mas só as neuróticas reclamam”
E antes que eu me esqueça:

Follow up pode ser entendido como “buscar uma resposta para algo que foi requisitado, solicitado”. Quando se faz o “follow up”, você está buscando um retorno do que foi questionado e que ainda não obteve resposta.
Fernando Moura é pianista, compositor, arranjador e produtor de música e trilhas sonoras com mais de 30 anos de experiência no mercado. Saiba mais em www.myspace.com/fernandomoura.

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2011-04-25T20:15:34+00:00 abril 25th, 2011|Categories: Sonhos de um Produtor|Tags: |

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